Instituto Steve Biko celebra 10 anos de Intercâmbio com a Pitzer College

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Instituto Steve Biko celebra 10 anos de Intercâmbio com a Pitzer College

Instituto Steve Biko celebra 10 anos de Intercâmbio com a Pitzer College


Uma experiência formativa para a compreensão crítica sobre a diáspora africana, a ancestralidade e as identidades afro-diaspóricas. Esse é o objetivo do Programa de intercâmbio da Biko, que já realizou vivências comunitárias, atividades culturais e estudos da língua portuguesa e inglesa com mais de 30 estudantes de Universidades afro-americanos e estudantes da Biko. 

O Programa, imbuído do espírito de amizade, partilha e intercâmbio, envolve o universo da diáspora africana, interconectando as juventudes para ampliar seus conhecimentos, aprender outra língua, reconhecer sua história no mundo, estabelecer vínculos simbólicos e trocas de experiências científicas e acadêmicas, respeitando a ancestralidade, o patrimônio diversificado e a contribuição da diáspora africana para o desenvolvimento das sociedades.

A troca é parte essencial do Programa e uma das instituições com quem mais se formou essa parceria é a Pitzer College, Universidade privada de Artes Liberais localizada em Claremont, Califórnia, reconhecida por seu foco em justiça social, responsabilidade socioambiental, governança compartilhada e engajamento intercultural. Em 2026, essa parceria Biko-Pitzer completa 10 anos, tendo beneficiado ao longo deste tempo, 37 estudantes entre 18 e 20 anos. 

Na prática, o Programa de Intercâmbio da Biko financia, por meio de parcerias, a estadia destes jovens no Brasil que, além de Salvador, também tem a oportunidade de conhecer cidades próximas, em especial aquelas onde é presente a cultura afrobrasileira, como Cachoeira, no Recôncavo baiano. Aqui, elas se hospedam em casas de famílias afro-brasileiras ligadas à Biko, as quais recebem instruções de como receber os estudantes e lhes proporcionar um período rico de trocas de saberes, experiências e vivências.
“O que espero desse programa e viagem para o Brasil é aprender português e vivenciar a cultura afro-brasileira, acho muito parecida comigo e quero ver quais são as diferenças e semelhanças entre elas, como a minha família vive e como as pessoas vivem aqui”, diz uma das jovens, Sophia. 


Durante a estadia dos estudantes em Salvador, eles participavam de atividades de aprendizagem da língua portuguesa, além de formações sobre Cidadania e Consciência Negra (CCN), aprofundando reflexões sobre cultura, identidade e questões raciais no contexto brasileiro.

“Meu principal objetivo é tentar aprender português em meio a um lugar que nunca estive e em uma cultura que nunca experienciei”, diz também o estudante da Pitzer, Zach. 

Além da presença e formação dos estudantes afroamericanos, os estudantes da Biko também participam de intercâmbios na instituição norte-americana, acompanhados por professoras e coordenadoras responsáveis pelo programa. Ao longo destes 10 anos, também foi desenvolvido um intercâmbio virtual no qual estudantes da Pitzer e da Biko praticaram inglês e português por meio de trocas de mensagens em redes sociais, promovendo aprendizado linguístico e intercultural.

“Falar em dez anos de programa significa que os ganhos têm sido de fato substanciais. Eu estive presente. Sobrevivemos, persistimos para além de uma pandemia, e a cada dia que passa, o programa tem se aperfeiçoado. Nenhum grupo é igual, nem do ponto de vista quantitativo, tampouco dos sujeitos, das sujeitas envolvidos no processo. Eu acredito que essa parceria só tem a melhorar, a crescer, até porque não se trata somente numa parceria da Biko. Envolver o contexto, envolver as instituições que estão ao nosso entorno, envolver mais as instituições negras cada dia que passa, os negócios negros, falar sobre gênero, discutir as diferentes formas de exclusão social que nós enfrentamos, seja do ponto de vista de gênero, sexual, o capacitismo, que é visível em nossa sociedade e o racismo, como não poderia deixar de citar. Acredito que é um programa que tende a crescer, se fortalecer e ser benéfico, dar bons frutos para a nossa sociedade”, diz Luciana Reis, coordenadora do Programa de Intercâmbio. 

Texto: Jamile Menezes - Jornalista (DRT BA 3400)



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