“Pensar a Psicologia a partir da Biko é pensar em uma Psicologia socialmente e criticamente” - Marília Santana
Quando o assunto é saúde mental, a população negra apresenta alguns alertas: o racismo estrutural, que gera estresse crônico, que desencadeia depressão, ansiedade e maior vulnerabilidade a transtornos psíquicos. Um olhar afrocentrado a esta realidade é uma das atuações na Psicologia que mais cresce ultimamente.
Um olhar que, com certeza, estará vivo na atuação das graduandas em Psicologia aprovadas após o Pré Vestibular da Biko. Estamos falando de Anna Claudia Machado, aprovada na UNIFACS e Marília Santana, aprovada na Anhanguera. Duas mulheres negras que estarão em formação a partir deste ano com todo o repertório e formação adquiridos nas aulas da Turma Tia Ciata, em 2025.
“Nesses últimos anos tive a oportunidade de conhecer pessoas que passaram por diversas situações difíceis e com isso me despertou o interesse de desenvolver maneiras de ajudar mais o outro. Com a Biko pude me envolver ainda mais nos atravessamentos que cada população passa no dia a dia, fortalecendo essa minha vontade e me ajudando a ter um letramento maior que vai fortalecer minha abordagem com o paciente”, diz Anna Claudia.
As vulnerabilidades sociais, ambientais, econômicas são gatilhos relevantes na compreensão da dimensão psíquica das populações mais necessitadas. O que está no radar da futura psicóloga, ex-bikuda que pretende devolver a formação à instituição. “Eu sou o tipo de pessoa que desde sempre me mostrei muito solícita com o próximo, buscando contribuir (dentro do possível) com as adversidades que atravessam a vida daqueles que vivenciam situações de vulnerabilidades sociais. A formação da Biko me acompanhará para sempre, ela fez parte da minha evolução como mulher e, consequentemente, como uma futura profissional, espero poder contribuir com a Instituição futuramente”, diz.
A ex-aluna Marília Santana, que cursará Psicologia na Anhanguera, levará consigo o olhar crítico adquirido durante a formação no Pré. “Minha descoberta veio ao perceber que o aprendizado vai além do conteúdo didático; ele passa pelo acolhimento, pela escuta e pela compreensão das realidades individuais. O caminho se revelou quando eu entendi que queria ferramentas técnicas para apoiar a saúde mental e o bem-estar das pessoas. A formação na Biko me ofereceu o despertar crítico para entender que a Psicologia no Brasil não pode ser neutra. Ajudou e contribuiu para minha decisão ao mostrar que ocupar esses espaços é um ato de reparação, de representatividade e fortalecimento. A Biko me deu suporte acadêmico mas, acima de tudo, o repertório de me ver como uma estudante preta capaz de intervir na realidade de Salvador”, diz orgulhosa.
O enfrentamento ao racismo estará na base da atuação da futura psicóloga.
“Minha visão é uma prática que considera o impacto do racismo, da classe e do território na saúde mental. Você não verá apenas um "paciente", mas um sujeito histórico com toda sua trajetória e bagagens. E deixando claro que: “Nossos passos vem de longe”. A ideia é uma atuação que promova o aquilombamento e a cura coletiva, e que use o conhecimento técnico para fortalecer a autoestima e a emancipação do nosso povo”, afirma Marília.