Retrospectiva 2025

Retrospectiva 2025

Retrospectiva 2025


O ano de 2025 atravessou o Instituto Cultural Steve Biko como atravessam os tempos ancestrais: em movimento circular, conectando passado, presente e futuro. Nestes movimentos de Sankofa, a Biko, como carinhosamente chamamos, seguiu caminhando com quem veio antes, com quem sustenta o agora e com quem ainda está por chegar.

Circulamos por formações, incidências públicas, parcerias e ações afirmativas que, sem dúvida, ampliaram o acesso de jovens negros e negras aos espaços de conhecimento e decisão.

Nesta retrospectiva, reunimos movimentos que atravessaram este ciclo: projetos consolidados, estreias institucionais, premiação e momentos decisivos para a agenda política e formativa da organização.

Confira os destaques:

OGUNTEC

O ano de 2025 marcou um período de fortalecimento e consolidação das bases pedagógicas do Programa OgunTec, iniciativa da Biko voltada à articulação entre educação, ciência, tecnologia e letramento racial. Ao longo do ano, o programa desenvolveu ações formativas que envolveram estudantes, educadoras/es, equipes gestoras e instituições parceiras, reafirmando o compromisso com uma educação antirracista e socialmente referenciada.

Entre os destaques da programação estiveram os Cafés Científicos, realizados no contexto das Jornadas Pedagógicas de escolas públicas parceiras. No dia 3 de fevereiro de 2025, a atividade aconteceu no Colégio Nelson Mandela, no bairro de Periperi, em Salvador. Já no dia 4 de fevereiro, o Café Científico foi realizado no Colégio Alberto Torres, em Cruz das Almas. As mesas funcionaram como espaços de diálogo e formação sobre letramento racial, envolvendo professores, gestores escolares e comunidades educativas, fortalecendo alianças entre as escolas e o Instituto Cultural Steve Biko.

Café Científico nas Jornadas Pedagógicas - Nelson Mandela/Periperi - (03/02/2025)

Outro eixo central das ações em 2025 foram os Rolezinhos Tecnológicos, que se consolidaram como estratégia de aproximação entre juventudes negras das periferias e espaços de produção científica, tecnológica e cultural. As atividades promoveram vivências formativas fora do ambiente escolar tradicional, ampliando repertórios e estimulando novas perspectivas de futuro para as/os estudantes.

No dia 14 de agosto de 2025, estudantes dos colégios Alberto Valença e Carlos Santana participaram de um Rolezinho Tecnológico no Instituto Federal da Bahia (IFBA). A experiência também contou com a participação de estudantes dos colégios Edgar Santos e Empreende Bahia, fortalecendo o diálogo entre a educação básica e instituições de ensino tecnológico. Já no dia 28 de novembro, o programa realizou um Rolezinho Tecnológico na Dow Química, em Candeias, por meio de uma parceria que reforça o compromisso com a inclusão da juventude negra nos territórios onde essas instituições atuam.


Como resultado dos processos formativos desenvolvidos ao longo do ano, algumas escolas passaram a incorporar práticas inspiradas nas vivências do OgunTec em seus próprios espaços. Um dos destaques foi a retomada de atividades nos laboratórios das escolas públicas parceiras. Nesse contexto, o Colégio Estadual Empreende Bahia, localizado no bairro de Água de Meninos, realizou a atividade de Horta Vertical, proposta pedagógica desenvolvida a partir das experiências formativas do programa, especialmente do Rolezinho Tecnológico realizado no IFBA, em 2 de outubro de 2025.

De acordo com a coordenação do Oguntec, o encerramento do ciclo de atividades de 2025 também evidenciou a importância da atuação coletiva da equipe de professores, monitores e gestoras/es. “O trabalho conjunto foi fundamental para garantir a integração das/os estudantes, o desenvolvimento de práticas pedagógicas consistentes e a construção de processos educativos comprometidos com o aquilombamento, o cuidado e a produção de conhecimento situado”, ressalta a coordenadora Eliane Cavalleiro.

“Ainda que parte dos desdobramentos estruturantes do programa esteja prevista para 2026, o ano de 2025 cumpriu papel central na preparação, no amadurecimento metodológico e no fortalecimento das redes que sustentam o OgunTec como uma iniciativa estratégica de educação antirracista, científica e tecnológica”, celebra Cristina Santos, que também atua na coordenação da iniciativa.

O Programa Oguntec é uma iniciativa do Instituto Cultural Steve Biko voltada para a formação de estudantes em ciência, tecnologia e inovação, fortalecendo a participação da juventude negra em áreas estratégicas do conhecimento. O programa conta com a parceria de instituições comprometidas com a democratização do acesso à educação científica: BASF, Dow Química, Serrapilheira, Fundação Ibirapitanga, Instituto Federal de Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) e Instituto Solea. Juntas, essas organizações contribuem para ampliar oportunidades, promover experiências formativas e incentivar trajetórias acadêmicas e profissionais nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

Pré-Vestibular
O Pré-Vestibular do Instituto Cultural Steve Biko em 2025 seguiu reforçando seu papel histórico como quilombo educacional e espaço estratégico de formação da juventude negra. Ao longo do ano, diversas ações pedagógicas e formativas marcaram a trajetória do curso, articulando ensino, memória, cultura e identidade. A diretora pedagógica, Jucy Silva, destaca que foram realizadas aulas interdisciplinares, atividades com convidados e ações formativas que articularam conhecimento, valorização da memória, acesso a bens culturais e fortalecimento da identidade das/os estudantes.
Abrindo os trabalhos do ano, a Biko fez uma homenagem à Tia Ciata, dando o nome à 33ª turma do Pré-vestibular. “Sem dúvida, um marco simbólico e político-pedagógico. Inauguramos o ano letivo com a valorização da ancestralidade negra, da resistência cultural e do sentimento de pertencimento coletivo”. 

O aniversário do Instituto, com homenagem às assistentes sociais, também se configurou como um momento de reconhecimento do trabalho social e educativo desenvolvido, contribuindo para o fortalecimento dos vínculos institucionais e afetivos.

As atividades de acesso a bens culturais tiveram papel central na formação integral das/os estudantes, contribuindo para a ampliação do repertório sociocultural e para a democratização do acesso à cultura. Nesse contexto, a Trilha Ancestral, realizada no Parque São Bartolomeu, destacou-se como ação formativa potente ao articular educação, território, memória e ancestralidade, fortalecendo o aquilombamento e a consciência histórica da turma.

O Aulão ENEMgrecido consolidou-se como um espaço ampliado de aprendizagem e cuidado, reunindo aulas, orientações e dicas de todas as áreas do conhecimento, voltadas à preparação para o ENEM a partir de uma abordagem interdisciplinar, crítica e racialmente situada. Para além da dimensão acadêmica, o aulão incorporou práticas de acolhimento desenvolvidas pelas áreas de Psicologia e Serviço Social e práticas integrativas. “A formação integral das/os estudantes envolve também atenção às dimensões emocionais, sociais e subjetivas”, pontua Jucy Silva.

Como resultados e conquistas, destacam-se o fortalecimento das parcerias institucionais e as atividades desenvolvidas em articulação com outros quilombos educacionais e cursinhos populares, ampliando o sentido de aquilombamento, fortalecendo a atuação em rede e consolidando o compromisso com uma educação popular voltada à justiça social.

Neste sentido, a Biko manteve atuação ativa em espaços estratégicos de formulação, articulação e incidência em políticas públicas educacionais. A instituição integrou a Comissão Nacional para a Educação das Relações Étnico-Raciais (CADARA), contribuindo com reflexões e propostas para o fortalecimento de uma educação antirracista no âmbito nacional.

O Instituto também participou do Encontro Nacional da Rede de Cursinhos Populares (CPOP), consolidando seu protagonismo histórico na construção e no fortalecimento dos cursinhos populares no Brasil e ampliando o diálogo com organizações e coletivos que atuam pela democratização do acesso ao ensino superior e pela justiça social.

Como perspectiva futura, já estamos na expectativa de inauguração da sede própria no bairro do Campo Grande, representando um avanço significativo para o Pré-Vestibular e para os demais projetos do Instituto. 

Entre os desafios permanentes, permanece a luta em defesa das políticas de ações afirmativas, especialmente as cotas raciais, assim como o enfrentamento contínuo pela garantia de uma educação pública de qualidade, equânime e socialmente referenciada, capaz de assegurar acesso, permanência e sucesso acadêmico para as juventudes negras e periféricas.

“Celebrar 2025 é reconhecer que cada atividade, cada aprovação, cada encontro e cada parceria expressam a missão do Instituto Cultural Steve Biko: educar para libertar, fortalecer identidades negras e construir futuros possíveis”, partilha Jucy Silva.

OxumTec
Lançado em agosto de 2025, o projeto Oxumtec ampliou a atuação do Instituto Cultural Steve Biko ao colocar no centro do processo educativo o cuidado com as mães de estudantes do Programa OgunTec. Inspirado em Oxum, divindade das religiões de matriz africana associada à liderança, ao acolhimento e à força das mulheres, o projeto foi concebido a partir das reflexões sobre o papel fundamental das famílias no percurso educacional das/os estudantes. Voltado para 100 mães, o Oxumtec desenvolve ações de apoio psicossocial e socioeconômico que visam fortalecer o empoderamento social, emocional, político e econômico dessas mulheres, enfrentando os impactos do racismo e do sexismo estruturais e promovendo sua participação ativa e qualificada no projeto político-pedagógico do OgunTec, com reflexos diretos no desempenho educacional de seus filhos e filhas.

Intercâmbio
Em 2025, o Instituto Cultural Steve Biko avançou em sua agenda de intercâmbio e cooperação internacional por meio do Programa de Intercâmbio Internacional Steve Biko, realizado no período de 24 de maio a 6 de julho, com a participação de quatro estudantes de graduação da Pitzer College. A iniciativa integrou estudantes intercambistas, membros do Instituto e professores em uma programação formativa voltada ao fortalecimento das conexões entre as diásporas negras nas Américas.


O programa teve como objetivo promover a troca de experiências acadêmicas, culturais e políticas, por meio de visitas, palestras, workshops, videoconferências, estudo de línguas e outras atividades formativas. As ações priorizaram o diálogo intercultural, a valorização das ancestralidades negras e a construção coletiva de conhecimento a partir de diferentes contextos da diáspora afrodescendente.

Como parte dessa experiência, os intercambistas participaram de vivências no Recôncavo Baiano, com visitas a quilombos, oficinas de saberes tradicionais, como a produção do dendê e o funcionamento da casa de farinha, além de encontros com lideranças comunitárias e educadores(as) locais. O roteiro formativo incluiu ainda visitas a espaços históricos e de referência da cultura negra, como a Casa da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira, fortalecendo a compreensão crítica sobre território, memória e resistência.

A gestora administrativa da Biko, Jussara Jorge, pontua que entre os principais impactos do intercâmbio, destacam-se a ampliação da visibilidade internacional do Instituto, o fortalecimento das instituições parceiras, o aprimoramento linguístico dos participantes, a ampliação da visão de mundo e a troca de experiências entre todos os atores sociais envolvidos. A parceria com a Pitzer College expressa o compromisso da Biko com uma educação internacionalizada, antirracista e socialmente referenciada.

Podcast Comciência Negra
O podcast Comciência Negra: um novo tom para a ciência consolidou-se, em 2025, como um espaço estratégico de valorização da produção intelectual de cientistas negras e negros no Brasil. Ao longo do ano, a iniciativa ampliou o acesso a narrativas historicamente invisibilizadas, conectando ciência, território, política e justiça social, e reafirmando o compromisso do Instituto Cultural Steve Biko com a democratização do conhecimento e a centralidade de saberes afro-diaspóricos.

Entre os destaques da temporada está o episódio “Território é Poder: Mulheres Negras Transformam o Brasil”, com a participação da antropóloga jamaicana Keisha-Khan Perry. A conversa trouxe reflexões profundas sobre direito à terra, justiça racial e o protagonismo de mulheres negras na diáspora, com ênfase em sua pesquisa sobre a Gamboa de Baixo, em Salvador. Ouça o episódio:  

Palestra com a Profa. Dra. Jamila Lyiscott
Nos dias 19 e 21 de julho de 2025, o Instituto Cultural Steve Biko promoveu, na Reitoria do Instituto Federal da Bahia (IFBA), encontros formativos com a Profa. Dra. Jamila Lyiscott, referência internacional nos estudos afrodiaspóricos e nas discussões sobre linguagem, educação e justiça social. Integrando a agenda da 13ª edição do Julho das Pretas – Mulheres Negras em Marcha por Reparação e Bem Viver, a participação de Jamila incluiu o Café Científico do Programa OgunTec, no qual a pesquisadora conduziu a palestra “Descolonizando a Linguagem Negra na Era Digital”, abrindo reflexões sobre tecnologias da linguagem, disputas discursivas e formas de resistência negra no ambiente digital.

A atividade fortaleceu o diálogo entre ciência, educação antirracista e produção de conhecimento situado, ampliando repertórios críticos e conexões internacionais no percurso formativo da Biko.

Lançamento dos Clubes Universitários Pan-Africanos: um marco internacional na articulação universitária e na formação política da juventude negra

Em 5 de dezembro de 2025, Salvador sediou o lançamento oficial dos Clubes Universitários Pan-Africanos no Brasil, iniciativa da True Culture University (TCU) em parceria com o Instituto Cultural Steve Biko. O evento aconteceu na Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e reuniu acadêmicos, lideranças estudantis e representantes de instituições parceiras para debater temas centrais como acesso, permanência, pertencimento e protagonismo da juventude negra nas universidades públicas. A cerimônia contou com apresentações do ecossistema global da TCU e destacou a importância de construir espaços permanentes de formação, pesquisa e articulação voltados à diáspora africana e à produção intelectual negra. 

A formalização dos Clubes Universitários Pan-Africanos no Brasil foi simbolizada pela assinatura de termos de compromisso por representantes acadêmicos e institucionais de instituições como UFBA, UNILAB e o Instituto Cultural Steve Biko, além de lideranças estudantis da Liga Acadêmica de Estudos da Saúde da População Negra (LANEGRA) e do Latitudes Africanas. Estudantes presentes destacaram o caráter transformador da iniciativa, que renova o sentido de pertencimento e fortalece o compromisso com a permanência acadêmica e a circulação de conhecimento nas comunidades. Saiba mais aqui: stevebiko.org.br

Prêmio Luiz Gama
Em 16 de dezembro de 2025, o Instituto Cultural Steve Biko foi agraciado com o 2ª edição do Prêmio Luiz Gama, concedido pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA) em reconhecimento à sua longa trajetória de promoção e defesa dos direitos humanos, especialmente por meio de ações educacionais voltadas à juventude negra e à equidade racial. 

A escolha do Instituto como vencedor — por unanimidade entre 39 indicações — ressalta sua atuação histórica, desde a criação do primeiro curso pré-vestibular voltado a estudantes negros no Brasil até seu impacto em políticas públicas e práticas de inclusão educacional. A cerimônia contou com a participação de autoridades judiciais, representantes institucionais e membros da comunidade educativa, ratificando o compromisso da Biko com a transformação social através da educação antirracista. 

Em memória de Joe Henry Beasley
Em 2025, nos despedimos de Joe Henry Beasley, liderança internacional na luta pelos direitos civis e defensor histórico da equidade racial na diáspora africana. Beasley manteve uma relação de apoio concreto com a Biko, marcada pela sua contribuição para a construção da sede que hoje leva seu nome, o Edifício Joe Beasley, e pelo fortalecimento de vínculos entre movimentos e instituições de Salvador e de outras partes do mundo. Sua atuação, pautada pela mobilização comunitária, pela cooperação internacional e pela justiça social, influenciou gerações de lideranças e ampliou a presença da educação antirracista como caminho de emancipação. Beasley permanecerá inscrito na memória institucional como parceiro fundamental na consolidação de seu percurso político-pedagógico e na construção de alianças que atravessam fronteiras. stevebiko.org.br.porttal.com.br

Agradecimentos

Agradecemos imensamente às parceiras e aos parceiros, apoiadoras e apoiadores que caminharam conosco ao longo deste ano. Cada colaboração, gesto de confiança e apoio concreto fortaleceu nossos passos e tornou possível seguir construindo caminhos de dignidade, educação, justiça social e equidade racial. Seguimos juntas e juntos, porque nada do que fazemos é individual — é sempre coletivo.

Agradecemos ao/à:
Instituto Solea 
BASF 
Dow Química 
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA)
Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC)
Centro de Estudos dos Povos Afro-Indígena Americanos (CEPAIA/ UNEB)
Instituto DesÁgua
Pitzer
Brazil Cultural 
Instituto Clara Ramos
Fórum de Quilombos Educacionais da Bahia (FOQUIBA)
Afreximbank
Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra do Estado (CDCN)
Universidade Federal da Bahia (UFBA)
40CET Programas
Tatur Turismo
Acadêmicos 
Quilombos: Quilombo Orubu; Pré-vestibular Quilombo (GBESA); Vilma Reis 
e INSTITUTO QUILOMBO ILHA
Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP) - Ministério da Educação 
Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE)
Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI)
Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)
Comissão Nacional para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (CADARA)
Instituto Natura
Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab)
Instituto Mancala
PerAnkTur
North Carolina Central University
University of Massachusetts Amherst - College of Education 
University of Pennsylvania
Instituto Serrapilheira
Instituto Ibirapitanga



Parcerias: