#Artigo - O que faz o Instituto Steve Biko continuar sendo necessário

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#Artigo - O que faz o Instituto Steve Biko continuar sendo necessário
George Oliveira

#Artigo - O que faz o Instituto Steve Biko continuar sendo necessário


O que faz o Instituto Steve Biko continuar sendo necessário? Para que não fiquemos prisioneiros da nossa própria história, essa é uma pergunta que precisamos nos fazer todos os dias. Isso porque, mesmo após mais de três décadas de sua fundação, o que, por si só, já seria de grande valia. A luta por uma educação antirracista continua cada vez mais relevante e necessária. Estamos diante de uma organização do Movimento Negro Brasileiro que, mesmo após tantos anos de trajetória, ainda se faz necessária porque continua oferecendo respostas aos problemas que persistem em nossa sociedade.

Percebemos o quanto a Biko (como carinhosamente a denominamos), inaugura, com a sua fundação em 1992, uma capítulo importante na história do Movimento Negro. E tem implantado ações que vem mudando a vida de milhares de pessoas nessa ação pioneira em criar o primeiro Pré-vestibular para pessoa negras no Brasil. Isso porque, encontramos nessa exitosa experiência, a combinação do binômio: “educação e oportunidades” resultando em vidas transformadas e pessoas vivas e orgulhosas.

A Biko é sinônimo disso, quando consideramos educação como prioridade, com compromisso e com comprometimento. Algo que é muito bem materializado na filosofia instititucional,  denominada por “CCN: Cidadania e Consciência Negra”, que é muito mais do que um componente curricular (disciplina) presente nos cursos oferecidos. O CCN consegue unir as ancestralidades de matrizes africanas, a busca continua pela identidade negra e um outro lugar para o provo negro no afrofuturismo.

Engana-se quem pensa que a Biko é apenas um pré-vestibular. Desde os primeiros anos de sua fundação, ao homenagear, em seu nome, a liderança negra Bantu Steve Biko, o Instituto se constituiu como uma iniciativa política e educacional inspirada em sua luta e na valorização da consciência negra. Reconhecida e premiada ao longo de sua trajetória, a Biko carrega em seu legado o resultado da luta de muitas mãos negras que combateram e continuam combatendo as iniquidades sociais, econômicas, educacionais e tantas outras que atravessam a vida da população negra.

Para além de preparar para a realização de uma prova, compete à Biko a formação de lideranças para que ocupem espaços estratégicos e contribuam para a transformação das estruturas sociais. Sua importância na atualidade se revela, principalmente, em três dimensões: no combate ao racismo estrutural, na construção da equidade racial e na promoção da educação antirracista como ferramenta de emancipação. Mais do que formar estudantes para ingressar na universidade, a Biko contribui para formar sujeitos capazes de ocupar espaços de poder, produzir novos conhecimentos e transformar a realidade social.

Em um sentido sankofaniano, precisamos olhar para o passado, preservar a história e valorizar o legado da Biko, sem perder de vista o futuro que queremos construir. É justamente nesse movimento entre passado, presente e futuro que reconhecemos a importância de sua atuação e o papel fundamental que continua desempenhando na construção da equidade racial. Afinal, olhar para trás não significa permanecer no passado, mas buscar nele os saberes, as experiências e a força necessários para caminhar adiante.

No futuro que almejamos, não há espaço para o racismo nem para as desigualdades sociorraciais. Por isso, enquanto houver desigualdade, a Biko continuará sendo necessária.

Este artigo integra a série "Memórias da Biko: 33 fatos sobre a Biko", escrita por George Oliveira. 

George Oliveira 
Ativista do Movimento Negro, economista, mestre em Gestão Social e doutorando em Educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atuou por mais de duas décadas no Instituto Steve Biko, onde exerceu a função de coordenador financeiro e gestor administrativo. É pesquisador das relações raciais, educação e equidade racial, além de escritor e palestrante antirracista.



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